A Folha de São Paulo veiculou essa notícia e, como estudantes, também temos grande interesse no livre acesso aos periódicos. Durante a minha experiência na Iniciação Científica, mesmo com o acesso a base de dados da Capes através da UnB, tive que comprar alguns artigos. Nesse momento eu pensei nos estudantes que não têm cartão de crédito internacional, por exemplo, para ter acesso a publicações quando elas são indispensáveis ao tema pesquisado.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
ANPUH diz: "O STF não sabe o que é história"
"O Ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), promulgou, em 29 de novembro de 2011, a Resolução No 474 que "estabelece critérios para atribuição de relevância e de valor histórico aos processos e demais documentos do Supremo Tribunal Federal". O documento causa perplexidade aos historiadores e a todos aqueles que, minimamente, tem acompanhado o desenvolvimento da historiografia contemporânea, em especial por duas razões: por procurar estabelecer "por decreto" o que é ou não histórico e por apontar como subsídio para essa classificação critérios considerados ultrapassados há, pelo menos, um século. Por esse motivo, a Associação Nacional de História (ANPUH), entidade que congrega os profissionais de história atuantes no ensino, na pesquisa e nas entidades ligadas ao patrimônio histórico-cultural, não poderia deixar de trazer a público a sua inconformidade com a referida Resolução."
Fonte: http://www.anpuh.org
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Comentários acerca da matéria da Veja sobre a UnB
Caros alunos e leitores deste blog, dessa vez vou abrir nosso espaço para uma discussão um tanto desagradável. Diante da evidente vulgaridade da Revista Veja, melhor seria ignorá-la. Mas, neste caso, acredito que precisamos pensar um pouco sobre o conteúdo de uma de suas matérias sensacionalistas e superficiais. Refiro-me ao texto intitulado “Madraçal* no Planalto”, que saiu no número desta semana. Vou comentar alguns pontos da matéria, mais relacionados ao tema dos usos do passado:
1. Em primeiro lugar, o texto começa com referências laudatórias e nostálgicas com relação ao passado de lutas da UnB contra a ditadura. Isso é mera figura de retórica: a exaltação de um passado que não incomoda mais justamente por ser passado, em nome da desqualificação do presente. Isso é recorrente na tradição política. Pode ser resumido com aqueles versos de Aldir Blanc: “não se fazem mais moinhos como os de antigamente!” É um tipo de argumento que visa enaltecer uma figura para, por contraste, rebaixar outra. A mesma revista que, em outras matérias, vem dizendo que quem lutou contra a ditadura era “terrorista”, agora recorre à imagem da “luta democrática”. Aliás, essa própria figura de retórica é mentirosa: houve muita resistência na UnB contra a ditadura, mas a história da UnB não se confunde com a da resistência. Precisamos nos lembrar de que também houve muita colaboração. Isso em nome de uma visão política menos maniqueísta e manipulável pelo esvaziamento do passado promovido por interesses não muito claros.
2. Por outro lado, se juntarmos a citada matéria a outra que saiu recentemente sobre a maconha, veremos que parece existir uma coincidência de notícias difamatórias sobre a universidade. A difamação é baseada em estereótipos: estudantes maconheiros e/ou subversivos. A velha imagem da imoralidade estudantil, somada ao anticomunismo (e, veja!, a Guerra Fria acabou!) – agora também sobreposta à discussão sobre a questão racial. Estereótipos não compõem argumentos, são meras acusações, agressões baseadas na adjetivação. Esta é uma das marcas do discurso autoritário. Ele ignora as diferenças, é vulgar e maniqueísta. Portanto, se algo na matéria da revista Veja nos leva a pensar na ditadura, não é a alusão explícita usada no início do texto, mas a forma autoritária da exposição.
3. O texto traz muitas acusações de perseguição a professores. As acusações são muito graves. Mas, como não participo de nenhum grupo político ligado à reitoria e estou na universidade há pouco tempo e, portanto, não tenho informações sobre o assunto, deixo que os acusados respondam, se assim lhes interessar. O que nos interessa mais no texto é seu estilo e a recorrência de velhos lugares comuns que foram usados, outrora, para justificar a invasão e as violências cometidas contra a UnB (uma boa pesquisa seria ler os jornais e revistas que saíram à época da invasão da UnB, em 1968. Talvez,para citar uma daquelas canções estudantis/esquerdistas que fazem o coração dos paranóicos saltar, a conclusão seria: somos como nossos pais). Com base em algumas acusações o autor constrói generalizações abusivas. Com esse tipo de tática, qualquer coisa pode ser “provada”. Alguém pode escolher 3 ou 4 entrevistados e montar um texto provando, por exemplo, que as araras do zoológico estão sendo treinadas para ações de guerrilha urbana ou que os freqüentadores do Rotary Club usam drogas pesadas em seus chás beneficentes.
4. O elogio ao passado é, no mínimo, ambivalente, visto que só tem uma função específica: desqualificar a atualidade. Com esse gesto, a revista procura se apropriar de uma tradição e apresentar-se como sua paladina: a tradição democrática, anti-ditadura. Mas, ironias da história, o golpe de 1964 também foi feito em nome da democracia!
* Orientalismo?
1. Em primeiro lugar, o texto começa com referências laudatórias e nostálgicas com relação ao passado de lutas da UnB contra a ditadura. Isso é mera figura de retórica: a exaltação de um passado que não incomoda mais justamente por ser passado, em nome da desqualificação do presente. Isso é recorrente na tradição política. Pode ser resumido com aqueles versos de Aldir Blanc: “não se fazem mais moinhos como os de antigamente!” É um tipo de argumento que visa enaltecer uma figura para, por contraste, rebaixar outra. A mesma revista que, em outras matérias, vem dizendo que quem lutou contra a ditadura era “terrorista”, agora recorre à imagem da “luta democrática”. Aliás, essa própria figura de retórica é mentirosa: houve muita resistência na UnB contra a ditadura, mas a história da UnB não se confunde com a da resistência. Precisamos nos lembrar de que também houve muita colaboração. Isso em nome de uma visão política menos maniqueísta e manipulável pelo esvaziamento do passado promovido por interesses não muito claros.
2. Por outro lado, se juntarmos a citada matéria a outra que saiu recentemente sobre a maconha, veremos que parece existir uma coincidência de notícias difamatórias sobre a universidade. A difamação é baseada em estereótipos: estudantes maconheiros e/ou subversivos. A velha imagem da imoralidade estudantil, somada ao anticomunismo (e, veja!, a Guerra Fria acabou!) – agora também sobreposta à discussão sobre a questão racial. Estereótipos não compõem argumentos, são meras acusações, agressões baseadas na adjetivação. Esta é uma das marcas do discurso autoritário. Ele ignora as diferenças, é vulgar e maniqueísta. Portanto, se algo na matéria da revista Veja nos leva a pensar na ditadura, não é a alusão explícita usada no início do texto, mas a forma autoritária da exposição.
3. O texto traz muitas acusações de perseguição a professores. As acusações são muito graves. Mas, como não participo de nenhum grupo político ligado à reitoria e estou na universidade há pouco tempo e, portanto, não tenho informações sobre o assunto, deixo que os acusados respondam, se assim lhes interessar. O que nos interessa mais no texto é seu estilo e a recorrência de velhos lugares comuns que foram usados, outrora, para justificar a invasão e as violências cometidas contra a UnB (uma boa pesquisa seria ler os jornais e revistas que saíram à época da invasão da UnB, em 1968. Talvez,para citar uma daquelas canções estudantis/esquerdistas que fazem o coração dos paranóicos saltar, a conclusão seria: somos como nossos pais). Com base em algumas acusações o autor constrói generalizações abusivas. Com esse tipo de tática, qualquer coisa pode ser “provada”. Alguém pode escolher 3 ou 4 entrevistados e montar um texto provando, por exemplo, que as araras do zoológico estão sendo treinadas para ações de guerrilha urbana ou que os freqüentadores do Rotary Club usam drogas pesadas em seus chás beneficentes.
4. O elogio ao passado é, no mínimo, ambivalente, visto que só tem uma função específica: desqualificar a atualidade. Com esse gesto, a revista procura se apropriar de uma tradição e apresentar-se como sua paladina: a tradição democrática, anti-ditadura. Mas, ironias da história, o golpe de 1964 também foi feito em nome da democracia!
* Orientalismo?
quinta-feira, 30 de junho de 2011
SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO DE HISTORIADOR
Olá pessoal, no link abaixo está disponível uma entrevista do site do " Café História" com o senador Paulo Paim, autor projeto de lei que pretende regulamentar a profissão de historiador no Brasil.
Aproveitem o texto e comentem!
http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/arquivo-conversa-cappuccino-8
terça-feira, 21 de junho de 2011
A função social da fofoca: Uma história mal contada
Muito se fala sobre a recente e imensa inovação temática do campo historiográfico. Por outro lado, quando observamos a situação atentamente notamos um dado curioso, complementar à dita inovação: a grande quantidade de temas pouco explorados. Um deles é a fofoca. Aparentemente fútil e mesquinha, a prática e o estilo da fofoca pode ser excelente indicativo sobre os modos de funcionamento da vida social e dos mecanismos de poder em um dado momento histórico.
Pensando meio aleatoriamente, consigo me lembrar de três livros que poderiam inspirar uma pesquisa desse tipo. O primeiro, o belo capítulo “O rumor também é um deus”, do livro A escrita de orfeu de Marcel Detienne. Detienne apresenta o Rumor como uma espécie de potência grega, representada por um ser grotesco de inúmeros olhos e línguas. O Rumor seria a força criadora das palavras que se proliferam pelo mundo, sem autoria definida. O disse-me-disse que toma conta de todas as vozes, sem origem definida. A figura esboçada por Detienne chega a ser encantadora: o Rumor tem o seu charme por ser uma fala desautorizada, sem amparo institucional, alheia ao poder.
O segundo livro já nos dá uma imagem com menos charme. Em A Sociedade de Corte, Norbert Elias apresenta o quadro de uma vida social regida pela luta pelo prestígio. A Corte seria exatamente o meio social em que o poder tinha como base não a riqueza econômica ou a força militar, mas o “bom nome”, as “boas relações” – algo semelhante à universidade. Por isso, a vida na Corte era um constante jogo onde se procurava aniquilar o prestígio dos concorrentes. Um dos meios eficazes para tal era a fofoca. Interessa notar aqui que a fofoca, diferentemente do Rumor, seria a encarnação do poder e não o que a ele se subtrai. Seus recursos retóricos tinham como base os preconceitos compartilhados, a moral comum. Ou seja: o moralismo e a hipocrisia como armas de luta do fofoqueiro – seu modo de conseguir respeito e ameaçar os outros com o desrespeito alheio. Ainda aqui, o fato de a fofoca não ter um autor em nada diminui seu efeito, por assim dizer, perverso, uma vez que aquele que acredita na fofoca também é fofoqueiro. Um efeito correlato, extrapolando um pouco o dito explicitamente no livro de Elias, pode ser chamado de policial. No sentido clássico do termo - o policiamento como governo, administração dos costumes, correção dos desvios: o alvo da fofoca sendo o comportamento tido como imoral, desviante, escandaloso. Sendo assim, a fofoca como discurso eminentemente conservador e mesmo reacionário. O fofoqueiro supõe-se, aqui, o porta-voz da moral, daí sua inerente hipocrisia. O fofoqueiro como julgador: daí seu olhar de ódio e ameaça.
Um quadro semelhante, mas ainda mais sombrio temos no romance Ninho de cobras de Ledo Ivo. Mais sombrio porque neste caso o fofoqueiro é o delator, o dedo-duro. Já não sendo, portanto, alguém que usa a moral comum para seus jogos de poder, mas o perseguidor, o investigador e o chantagista. Não é para menos: o romance é uma alegoria do autoritarismo em geral e da ditadura militar em particular, situações em que o dedo-duro adquire aura de herói patriota. Por assim dizer, a fofoca como serviço de utilidade pública. Em diferentes situações, a fofoca tem diferentes funções e sentidos. Daí o seu interesse histórico. Ainda que carregado de melancolia. Quando estudamos o tema, estamos diante do nosso lado mesquinho, acusador. A fofoca é convincente porque se baseia em evidências, naquilo que todos vêem e sabem, no que não é segredo para ninguém. Mas a isso, a fofoca sobrepõe suas próprias interpretações e pontos de vista. Que nada mais são do que o senso comum, os pressupostos e preconceitos disfarçados de defesa da ética. Ou seja, mesmo com melancolia, uma pesquisa sobre a fofoca deveria reconhecer que não há nada de mais ordinário (no sentido de comum) do que um fofoqueiro e as banalidades que ele diz, com sua postura, ora de delator, ora de policial, ora de juiz da moralidade pública.
As fontes para tal pesquisa deveriam ser variadas. O tema exigiria uma procura refinada, uma vez que a fofoca desliza socialmente, espalha-se, dissemina-se. E, claro, é fundamentalmente oral. Sua teoria poderia se basear em livros como os que indiquei e na observação da vida social à nossa volta.
Pensando meio aleatoriamente, consigo me lembrar de três livros que poderiam inspirar uma pesquisa desse tipo. O primeiro, o belo capítulo “O rumor também é um deus”, do livro A escrita de orfeu de Marcel Detienne. Detienne apresenta o Rumor como uma espécie de potência grega, representada por um ser grotesco de inúmeros olhos e línguas. O Rumor seria a força criadora das palavras que se proliferam pelo mundo, sem autoria definida. O disse-me-disse que toma conta de todas as vozes, sem origem definida. A figura esboçada por Detienne chega a ser encantadora: o Rumor tem o seu charme por ser uma fala desautorizada, sem amparo institucional, alheia ao poder.
O segundo livro já nos dá uma imagem com menos charme. Em A Sociedade de Corte, Norbert Elias apresenta o quadro de uma vida social regida pela luta pelo prestígio. A Corte seria exatamente o meio social em que o poder tinha como base não a riqueza econômica ou a força militar, mas o “bom nome”, as “boas relações” – algo semelhante à universidade. Por isso, a vida na Corte era um constante jogo onde se procurava aniquilar o prestígio dos concorrentes. Um dos meios eficazes para tal era a fofoca. Interessa notar aqui que a fofoca, diferentemente do Rumor, seria a encarnação do poder e não o que a ele se subtrai. Seus recursos retóricos tinham como base os preconceitos compartilhados, a moral comum. Ou seja: o moralismo e a hipocrisia como armas de luta do fofoqueiro – seu modo de conseguir respeito e ameaçar os outros com o desrespeito alheio. Ainda aqui, o fato de a fofoca não ter um autor em nada diminui seu efeito, por assim dizer, perverso, uma vez que aquele que acredita na fofoca também é fofoqueiro. Um efeito correlato, extrapolando um pouco o dito explicitamente no livro de Elias, pode ser chamado de policial. No sentido clássico do termo - o policiamento como governo, administração dos costumes, correção dos desvios: o alvo da fofoca sendo o comportamento tido como imoral, desviante, escandaloso. Sendo assim, a fofoca como discurso eminentemente conservador e mesmo reacionário. O fofoqueiro supõe-se, aqui, o porta-voz da moral, daí sua inerente hipocrisia. O fofoqueiro como julgador: daí seu olhar de ódio e ameaça.
Um quadro semelhante, mas ainda mais sombrio temos no romance Ninho de cobras de Ledo Ivo. Mais sombrio porque neste caso o fofoqueiro é o delator, o dedo-duro. Já não sendo, portanto, alguém que usa a moral comum para seus jogos de poder, mas o perseguidor, o investigador e o chantagista. Não é para menos: o romance é uma alegoria do autoritarismo em geral e da ditadura militar em particular, situações em que o dedo-duro adquire aura de herói patriota. Por assim dizer, a fofoca como serviço de utilidade pública. Em diferentes situações, a fofoca tem diferentes funções e sentidos. Daí o seu interesse histórico. Ainda que carregado de melancolia. Quando estudamos o tema, estamos diante do nosso lado mesquinho, acusador. A fofoca é convincente porque se baseia em evidências, naquilo que todos vêem e sabem, no que não é segredo para ninguém. Mas a isso, a fofoca sobrepõe suas próprias interpretações e pontos de vista. Que nada mais são do que o senso comum, os pressupostos e preconceitos disfarçados de defesa da ética. Ou seja, mesmo com melancolia, uma pesquisa sobre a fofoca deveria reconhecer que não há nada de mais ordinário (no sentido de comum) do que um fofoqueiro e as banalidades que ele diz, com sua postura, ora de delator, ora de policial, ora de juiz da moralidade pública.
As fontes para tal pesquisa deveriam ser variadas. O tema exigiria uma procura refinada, uma vez que a fofoca desliza socialmente, espalha-se, dissemina-se. E, claro, é fundamentalmente oral. Sua teoria poderia se basear em livros como os que indiquei e na observação da vida social à nossa volta.
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sexta-feira, 17 de junho de 2011
Carreira de pesquisador em História por Carlos Fico
Olá pessoal, gostei muito desse post do Prof. Carlos Fico.
Diversos professores do nosso Departamento fizeram uma trajetória similar a que ele descreve.
Aproveitem a leitura e os conselhos!
Abs,
Sara Daiane
---------------
Diversos professores do nosso Departamento fizeram uma trajetória similar a que ele descreve.
Aproveitem a leitura e os conselhos!
Abs,
Sara Daiane
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O(a) jovem que deseja tornar-se um(a) pesquisador(a) em História deve preparar-se para enfrentar um longo percurso.
O primeiro passo, naturalmente, é ingressar em um bom curso de graduação (há diversos rankings que facilitam a escolha). O bacharelado em História é uma etapa difícil: a visão frequentemente tradicional que se tem da História no ensino médio tende a ser “desconstruída” na universidade, o que costuma gerar crises epistemológicas nos(nas) jovens candidatos(as) a historiador(a). Sempre digo a meus(minhas) alunos(as) que o principal não é cumprir as disciplinas, mas integrar-se em grupos de pesquisas, fazer iniciação científica, atuar como monitor. Para mim foi muito importante aproximar-me dos(as) professores(as) que admirava, pedir orientação insistentemente: é muito comum que os(as) professores(as) universitários(as) sejam pouco demandados(as) e, por isso, acabam sendo mal aproveitados(as).
No final da graduação, é importante que a monografia de bacharelado seja bem escolhida. O primeiro exercício de pesquisa não pode ser aborrecido.
No final da graduação, é importante que a monografia de bacharelado seja bem escolhida. O primeiro exercício de pesquisa não pode ser aborrecido.
Há uma espécie de “taylorização” da formação do pesquisador: emenda-se o bacharelado no mestrado, feito rapidamente em dois anos, e logo se inicia o doutorado, às vezes até antes da defesa da dissertação de mestrado. Isso é ruim, já que nossa profissão exige amadurecimento, erudição, leituras, algo que demanda tempo. No passado, uma dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado podia ser feita ao longo de 5, 6 anos, ou muito mais. Mas não adianta pensar em termos ideais. Hoje há muita competição. Por exemplo: quando ingressei na carreira do magistério superior, em 1985, eu nem tinha o mestrado, era apenas um especialista (pós-graduação lato sensu). Comecei como “Professor Auxiliar”. Hoje em dia, nenhuma universidade contrata professores auxiliares porque, para atuar na pós-graduação, é preciso ser doutor e praticamente todos os departamentos têm cursos de pós-graduação.
Portanto, é preciso fazer o mestrado rapidamente, nos dois anos regulamentares, de preferência com uma bolsa do CNPq ou da CAPES, o que depende da classificação no processo de seleção. É essencial, portanto, fazer uma boa seleção. Isso resulta, em geral, de duas coisas: um bom projeto de pesquisa e, eventualmente, ter atuado na graduação do departamento em alguma iniciação científica. Um bom projeto de pesquisa é aquele que define com precisão um problema e indica a existência de fontes documentais interessantes. Um bom roteiro para a elaboração de projetos de pesquisa pode ser visto nos editais de seleção do meu programa de pós-graduação, o PPGHIS da UFRJ.
O mestrado é uma correria e, nesse sentido, até mais difícil do que o doutorado. O(a) aluno(a) vem da graduação, muitas vezes sem experiência de pesquisa e, em dois anos, tem de fazer uma dissertação. Como no primeiro ano é preciso cumprir, em geral, quatro disciplinas, a dissertação só é redigida mesmo no segundo ano.
No doutorado as coisas são mais tranquilas, em função da experiência adquirida e do prazo maior (quatro anos). O único problema é que você terá de fazer uma tese de doutorado! É um trabalho que pressupõe originalidade. O mais importante, entretanto, é ter em mente que a tese costuma “marcar” o autor: quando você fizer um concurso para tornar-se professor, por exemplo, é certo que sua tese será considerada.
Depois da tese, o passo final é a busca de um emprego. Muitos recém-doutores só vão se inserir no mercado nesse momento, tendo vivido de bolsas até então. É a realidade hoje em dia. Como disse, no passado, muitos professores se doutoravam depois de anos de atuação no magistério. Seja como for, há algumas alternativas. Uma delas é trabalhar como "Professor Recém-Doutor" em algum departamento ou programa de pós-graduação, algo que, em geral, depende de uma inserção prévia em grupos de pesquisa. Outra hipótese é se tornar "Professor Substituto" (dando aulas na graduação no lugar de um professor aposentado ou falecido antes do concurso para professor efetivo). O processo de seleção para professor substituto é mais simples do que o tradicional concurso de provas e títulos para professor efetivo.
O concurso para se tornar professor do magistério superior federal (efetivo) é bastante pesado. Há provas de aula, de arguição do currículo e escrita. Usualmente, são muitos os candidatos. Como já disse, em geral os concursos são para “Professor Adjunto”, isto é, aquele que já é doutor. Dificilmente se contrata um "Professor Auxiliar" (especialista) ou "Assistente" (mestre). Depois de oito anos, o Adjunto pode progredir para "Professor Associado". Para chegar ao último patamar da carreira, como “Professor Titular”, é preciso fazer outro concurso, que pode exigir uma tese ou uma conferência, dependendo da universidade.
Se tudo der certo, são quatro anos na graduação, dois no mestrado e quatro no doutorado, isto é, dez anos apenas para começar a carreira. Boa sorte! E paciência...
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Fonte: http://www.brasilrecente.com/2011/06/carreira-de-pesquisador-em-historia.html
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Fonte: http://www.brasilrecente.com/2011/06/carreira-de-pesquisador-em-historia.html
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