sábado, 1 de maio de 2010

Borges


“Eu tenho um conto sobre um homem que decide desenhar o mundo. Então, senta frente a uma parede branca – nada impede que pensemos que essa parede é infinita -, e o homem começa a desenhar todo tipo de coisas: desenha âncoras, desenha bússolas, desenha torres, desenha espadas, desenha bengalas. E continua desenhando assim, durante um tempo indefinido – porque ele teria atingido a longevidade. E enche essa longa parede de desenhos. Chega o momento de sua morte, e então lhe é permitido ver – não sei muito bem como -, com uma só olhada, toda sua obra, e percebe que o que desenhou é um retrato de si mesmo. Agora, eu acho que essa parábola ou fábula minha poderia se aplicar aos escritores, ou seja, um escritor pensa que fala de muitos temas, mas o que realmente deixa é, se tiver sorte, uma imagem de si próprio.” Jorge Luís Borges



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