segunda-feira, 21 de junho de 2010

História e Música II: A JUVENTUDE DO PÓS-GUERRA

A juventude possui uma especificidade e não deve ser concebida como uma idade igual às outras. Porém, há dificuldades para se definir o que ela é de fato, algo irredutível a uma definição estável e concreta. A juventude é uma construção social e cultural que possui um caráter de limite: está situada “no interior das margens móveis entre a dependência infantil e a autonomia da idade adulta.” (LEVI e SCHMITT, 1996) Essa característica vem determinando as atitudes sociais e a visão que os jovens têm de si mesmos.

Essa construção cultural é carregada de símbolos, de potencialidade e fragilidade. Em torno da juventude é criado um conjunto de imagens fortes, de modos de pensar, de representações de si própria e também da sociedade como um todo.

Segundo Luisa Passerini, o discurso sobre o jovem do início do século XX até 1968, foi caracterizado pela ênfase no gênero masculino e nas classes médias. Com o surgimento do teenager nos Estados Unidos desencadeia-se um debate sobre os jovens que “mostrava a crise profunda de um sistema de valores concebido como baluarte do Ocidente”.

O debate sobre a juventude nos Estados Unidos teve uma significativa etapa com a publicação de “Adolescente” em 1904 por G. Stanley Hall, que anunciava a “descoberta” do adolescente americano. Hall atribuía a essa faixa etária qualidades antitéticas: hiperatividade e inércia, sensibilidade social e autocentrismo, etc.

Na década de 1950 o termo, teenager, atingiu o seu auge. A adolescência adquiriu um estatuto legal e social, houve então uma série de intervenções governamentais. Tais intervenções refletem o modo como a sociedade percebia os jovens: indivíduos perigosos para si próprios e para comunidade, necessitando de ajuda e proteção.

Essa “primeira geração de adolescentes” apresentava acentuada coesão, um auto-reconhecimento como uma comunidade especial com interesses em comum. A figura do adolescente era associada à vida urbana e a high school, com as atividades extracurriculares como esportes e bailes, e lugares acessórios como o automóvel e o bar para jovens. O sistema de valores dos adolescentes dava extrema relevância à aparência por meio das roupas, popularidade e atrativos exteriores. A adolescência parecia tornar-se mais um universo em si.

A delinqüência juvenil era vista pela sociedade como qualquer comportamento irregular, como a linguagem obscena ou um modo diferente de se vestir. A subcultura juvenil vista como agressiva incluía “o rock and roll, o uso de carros com motor envenenado e a carroceria modificada de modo a personalizá-la, o corte de cabelo à Presley ou os cabelos longos, a roupa retomando estilos afro-americanos, as gangues”. (PASSERINI, 1996) Tal delinqüência estava ampliando, acreditava-se que por causa dos meios de comunicação em massa preferidos dos jovens: histórias em quadrinhos, rádio, cinema e também as revistas juvenis que “difundiam e defendiam músicas capazes de dar coesão e identidade à cultura juvenil”. (PASSERINI, 1996).

Os adolescentes de 1950 eram um grupo bastante diversificado com gostos e valores contraditórios e fortes conflitos internos. O polimorfismo é o elemento marcante da experiência social dos jovens. Talvez por isso os jovens rompessem as barreiras de cor e gênero, escolhendo ídolos andróginos e de comportamento “negro”. A ruptura ocorria de modo simbólico ou parcial, seguindo um impulso para encontrar identidades novas.

Como nota Passerini, a juventude pode servir de metáfora do social, do discurso que a sociedade produz de si mesma e sobre as próprias inquietudes. A década de 1950 era, apesar do bem-estar crescente e da crença no destino magnífico e progressista dos EUA, a da execução do casal Rosenberg e das angústias provocadas pela Guerra Fria. Os teenagers eram a primeira geração que crescia com a ameaça da bomba.


Referencias bibliográficas:

PASSERINI, Luiza. “A Juventude, metáfora da mudança social. Dois debates sobre os jovens: a Itália fascista e os Estados Unidos da década de 1950”. In: LEVI, Giovanni e SCHMITT, Jean-Claude. História dos jovens 2: A Época Contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.



Amanda Camylla e Thiago Dornelles são alunos do quinto semestre de História na UnB


Nenhum comentário:

Postar um comentário